#inspiracao6: Marilei Roseli Chableski - Uma creche para cada bebê.
Uma creche para cada
bebê
Quando o educador respeita a
individualidade dos pequenos, facilita a adaptação e reforça vínculos com as
famílias
Fonte: novaescola.org.br TEXTO PEDRO ANNUNCIATO / DESIGN
JACQUELINE HAMINE / EDIÇÃO MAGGI KRAUSE
Todo começo de ano, Marilei
Roseli Chableski, que desde 2011 é professora do CEI Adhemar Garcia, em
Joinville (SC), sentia um aperto no peito junto com as famílias. Nas primeiras
vezes em que entregavam seus bebês, via como elas ficavam inseguras, confusas.
Muitas não entendiam a creche como um espaço de aprendizado, só de cuidado.
Marilei percebeu que era preciso melhorar o início da relação. "É o
momento de acolher e entender os pais, porque deixam conosco a maior riqueza
que possuem", diz.
"Essa sensibilidade torna o
projeto raro. Poucas instituições respeitam o tempo da família, apesar de muito
se falar nisso", elogia Maria Paula Zurawsky, selecionadora do Prêmio
Educador Nota 10. Para transformar o propósito em ação, Marilei entregou aos
pais um questionário sobre os hábitos da criança. Como ela dorme? Alguém lê
para ela? Tem um brinquedo preferido?
MARILEI ROSELI
CHABLESKI
Projeto: Pé com Café
De posse das respostas, ela lida
melhor com cada um dos 18 bebês com idade entre 4 meses e 1 ano quando choram
ou não conseguem pegar no sono. Heitor gosta de girafas e de cheiro de
erva-doce. Já Kauan adora brincar com as tampas das panelas. Isso faz a
diferença. "A qualidade do acolhimento garante a qualidade da
adaptação", escreveu Cisele Ortiz, do Instituto Avisa Lá, no artigo
Adaptação e Acolhimento.
Para que os bebês se sentissem
ainda mais confortáveis, a professora a pediu à família que mandasse para a
creche objetos da casa (leia no quadro abaixo). "Vale amenizar o
estranhamento, sem a pretensão de simular o lar. O desafio é criar uma
identidade acolhedora em um espaço coletivo", comenta Ana Paula Yazbek,
sócia-diretora do Espaço da Vila, em São Paulo. Marilei também envolveu as
famílias em oficinas de confecção de brinquedos e mostrou atividades da nova
rotina. Os pais perceberam a importância de explorar todos os recursos da
creche, como o parquinho e a área externa da escola. "Quero estimular as
crianças em todos os sentidos, mesmo sendo trabalhoso levá-las para fora. É
preciso dar ao bebê a oportunidade da descoberta."
A creche comum: Pouca flexibilidade nos horários e entrada limitada na creche, cuidados padronizados na hora de alimentar, fazer dormir e limpar as crianças, bebês ficam restritos aos espaços internos, já que o parque pode oferecer riscos.
A creche de Marilei: Oficinas, reuniões, cafés e momentos de brincadeira para inserir os pais na rotina, individualização do atendimento, com base em banco de dados com os hábitos de cada bebê, montagem de brinquedos no pátio e estímulo ao contato com a natureza.
Marilei leva os bebês ao parque. Rotina incomum para a maioria
das creches
É ASSIM QUE SE ACOLHE
Adaptação: Deve criar um ambiente que ofereça conforto físico e emocional
à criança, o que passa pela construção de vínculos afetivos.
Objetos transicionais: Roupas, almofadas e outros itens que lembrem a presença da
mãe ou do pai acalmam o bebê e ajudam na transição de casa para a creche.
Parceria escola-família: Deixar claro os objetivos da instituição e o plano de
trabalho, mostrar-se disponível e expor as atividades são ações que estreitam
os laços.



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